O RISCO DE NOVOS POSTOS IPIRANGAS VIRAREM LOJA DE CONVENIÊNCIA

CHARGE DE PAULO ARISI

Depois da descoberta do Posto Ipiranga por Bolsonaro, réu confesso no desconhecimento econômico, criou-se o novo hábito: políticos indicam nomes com grife no mercado financeiro.

Dois problemas toldam com nuvens de “cumulonimbus” o céu eleitoral:

1- Parece que os candidatos fazem isso para se livrarem de perguntas mais profundas e delicadas sobre a economia e desenvolvimento;

2- Não haver participação do candidato no processo, e se mostram prontos para absorver qualquer produto que vier, como uma embalagem ofertada por uma loja, conveniente no momento.

Quem deve fazer políticas públicas são os políticos. Os candidatos devem enunciá-las, e depois economistas podem dar o feitio conclusivo. O design é do político, a costura do economista, não o contrário.

Pelo ranger das rodas da carruagem, os candidatos estão se livrando de serem questionados pessoalmente sobre o que pensam de um plano de desenvolvimento para o país, com todas as respectivas contradições que qualquer plano encerra.

Postos de gasolina se transformaram em lojas de conveniência em que você pode comprar desde gelo, a cortes de carne para churrasco e sorvetes para sobremesa.

Com todo respeito aos indicados, eles não podem se transformar, numa “ajuda aos economistas” de um game televisivo “quem quer ser um presidente?”

E não se trata de resolver a economia e depois pensar no desenvolvimento, o processo deve ser feito em conjunto, com a sensibilidade política dando o tom e a intensidade das medidas.

Também parece que os candidatos querem, sobretudo, acenar para o mercado, embora se digam tão liberais como os indicados, mas transpiram mais marketing, do que uma escolha que alcance a fundo o que essas pessoas pensam. Os escolhidos são pessoas honradas, mas têm uma forte inspiração no “mercadismo cultural”, que por vezes, se choca com o lado social do “liberal-social”, como Moro e Doria querem encarnar. O “mercadismo cultural” repete certas opiniões como dogmas que não carecem de explicação e que levariam a um suposto Santo Graal. Resvalando para o confessional.

Ficam marcas, fachadas, estereótipos e pouca articulação entre um plano de desenvolvimento e um apregoado “ajuste fiscal” não explicitado onde e como, claramente. Sem uma exegese mais longa do porquê da escolha.

Estamos em tempo de slogans. De salsichas que parecem bonitas, mas que não sabemos o que levam dentro, como Bismarck advertiu sobre a nossa ignorância, quando estamos distantes e fora do contexto

Tem muito tuíte e pouco texto, muito metaverso e pouco universo.

Paralelamente, na Folha de domingo 19/12, Mauro Benevides, menos Posto, mais economista de Ciro, dá uma entrevista instigante.

Sem entrar no mérito das respostas, Mauro precisa entrar no debate público, porque ostenta ideias que precisam ser confrontadas com as propostas liberais que virão dos indicados.

Mauro Benevides não foge à luta e avança sobre assuntos polêmicos como aumentar os juros não pelo IPCA , mas por um núcleo inflacionário (assunto já discutido estudado por economistas), ele apresenta como novidade); a forma de privatizar e como lidar com o Teto de Gastos, que ele confirma manter surpreendentemente para Ciro, mas com cálculo para investimentos fora das regras atuais.

Seria um bom e profícuo debate, para escancarar a tese, a antítese e a síntese; que corre o risco de ausência, pelo encolhimento de Ciro Gomes.

Quem fez as políticas públicas que tiraram os EUA da depressão de 1929 foi Franklin Delano Roosevelt, e não os economistas. Eles ajudaram na montagem depois da formulação

Os candidatos precisam parar de se esconder atrás de grifes e assomarem à tribuna, para o profícuo debate público das propostas.

Inclusive Lula, que com a dianteira na pesquisa, está espertamente costeando o alambrado e caindo fora da conversa.

Os três líderes na pesquisa estão todos enfurnados num canto escondido dos respectivos Postos.

Neste ponto, o verborrágico Ciro Gomes, que disse que esperaria a PF à bala, e não esperou, tem razão.

O aludido pessoal corre do debate como Asmodeu da Cruz.

JOSÉ LUIZ PORTELLA” SITE DO UOL” ( BRASIL)

https://outline.com/RxD9Dk

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