
Coimbra é um ponto de referência de conhecimento e refinamento da Europa. Principalmente por sua erudita Universidade – louvada, com pompa e circunstância, em todos os continentes. É lá que, ainda hoje, se encontra o mais antigo e tradicional campus de pensamento e ciência da lusofonia. Possui, enfim, uma universidade tão renomada quanto pouquíssimas outras do Velho Mundo, berço das escolas de altos estudos, entre as quais, se destacam a castelhana Salamanca, na vizinha Espanha, a parisiense Sorbonne, a italiana Bologna, na Região da Emília, e a inglesa Oxford, às margens do Rio Tâmisa, a cerca de 100 quilômetros de Londres.
Coimbra foi a segunda capital do Reino de Portugal e abriga o túmulo do fundador da Pátria das Quinas, Dom Afonso Henriques (1106 – 1185), O Conquistador, iniciador da dinastia de Borgonha, de origem francesa, denominada também Afonsina – antecessora das celebradas casas de Avis e Bragança. Descendente de nobres ancestrais cruzados, que deixaram a França, no começo do Segundo Milênio, para se baterem contra a ocupação muçulmana na Península Ibérica, Dom Afonso Henriques, embora nascido em Guimarães, a primeira capital por ele criada, transferiu a Coimbra sua Corte, após obter, em 1130, a Independência do Condado Portucalense – vinculado à época ao Reino de Leão e Castela, que abarcava o histórico Reino de Breogán, formado pelos povos celtas, a atual Galícia, e o Principado de Astúrias.
Justamente em Coimbra, igualmente, está o mausoléu da mais amada das santas portuguesas, a Rainha Santa Isabel (1270 – 1336), esposa de um soberano ilustre da Casa dos Borgonha, Dom Dinis I (1261 – 1325), O Lavrador, apesar do epíteto, natural de Lisboa. Já a Rainha Santa Isabel era aragonesa, de Zaragoza, neta do legendário Dom Jaime I, Rei de Aragão, região espanhola que incluía então a própria Aragão, bem como a Catalunha, onde se localiza Barcelona, o País Valenciá, cuja capital é Valencia, o Arquipélago Baleares e as ilhas italianas Sardenha e Sicília.
Seu pai era Pedro III de Aragão. A Rainha Santa, como é aclamada pela maioria dos portugueses, é a Padroeira de Coimbra e, a cada Natal, sua generosidade é lembrada e exaltada em toda a Nação. Como também no universo dos países lusófonos. E mesmo na sua Aragão, na qual a Grande Padroeira é Nossa Senhora do Pilar, que possui, em Zaragoza, o maior dos santuários marianos da Espanha. Santa Isabel foi beatificada em 1516 pelo Papa Leão X (1475 – 1521), da família florentina dos Medici, e canonizada 119 anos depois, em 1625, pelo Sumo Pontífice Urbano VIII (1568 – 1644), da linhagem romana dos Barberini. A Rainha sempre foi muito bondosa com os pobres e, por isso, era chamada de A Piedosa pelos súditos. Teria sofrido duramente, ao longo dos largos anos de seu matrimônio, a infidelidade de Dom Dinis I – monarca marcado pelas aventuras amorosas. Seria responsável pela reconciliação do marido com o filho do casal, Dom Afonso IV (1291 – 1357), que tentou derrubar do trono o pai e controlar Portugal.
São inúmeros os milagres que teria realizado a santa aragonesa de alma lusitana. Diversos dos quais atribuídos à sua preciosa relíquia, a mão incorrupta, exposta intacta, em anos festivos, no Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, onde está seu sepulcro em prata e cristal. Foi exibida pela última vez em 2016 por ocasião dos 500 anos de sua beatificação. Milhares são os fiéis que reverenciam, anualmente, em Coimbra, os restos mortais de Santa Isabel – conforme registra sua venerável Confraria. Que a Rainha Santa Isabel de Portugal nos ilumine e abençoe nesta noite de Natal de 2021!
ALBINO CASTRO ” PORTUGAL EM FOCO” ( BRASIL / PORTUGAL)
Albino Castro é jornalista e historiador