
A chave para entender a versão da defesa de Jair Bolsonaro no inquérito sobre as acusações de Sérgio Moro está na fala do ministro Luiz Eduardo Ramos. Em seu depoimento, Ramos corroborou a versão do presidente da República de que ele estava se queixando da maneira como vinha sendo conduzida a sua “segurança pessoal” e de seus familiares —e não a superintendência da Polícia Federal no Rio, como disse o ex-juiz da Lava Jato. O site O Antagonista obteve a cópia do depoimento do general: “Também foi dito pelo presidente Jair Bolsonaro, na mesma reunião do dia 22 de abril de 2020, que, a título de exemplo, se ele não estivesse satisfeito com sua segurança pessoal realizada no Rio de Janeiro, ele trocaria inicialmente o chefe da segurança e, não resolvendo, trocaria o ministro”. A frase que vem a seguir no depoimento é: “e nesse momento olhou em direção ao ministro Heleno.” A segurança pessoal do presidente e seus familiares é feita por agentes da Abin, órgão do Gabinete de Segurança Institucional, por sua vez, comandado pelo general Heleno, como Ramos fez questão de ressaltar em seguida, acrescentando: “pode ter havido, em razão do exemplo, interpretação equivocada por parte de algum ministro, incluindo o ex-ministro Sergio Moro”.
Em outras palavras: na versão de Ramos, tudo não passou de um terrível engano e Moro interpretou errado a fatídica reunião ministerial do dia 22. Bolsonaro, insatisfeito com a condução da segurança pessoal dele próprio e de seus filhos, não se queixou da Polícia Federal em nenhum momento e nem ameaçou demitir superintendente algum (“Não existe no vídeo a palavra Polícia Federal, nem superintendência. Não existem essas palavras”, declarou não por acaso o presidente ontem, enquanto seus ministros prestavam depoimento à PF).
Segundo a versão dos generais, Bolsonaro vociferou na reunião contra o trabalho do GSI e não contra a PF do Rio. E suas ameaças de demissão se dirigiam não a Moro, mas ao general Heleno.
Inacreditável.
THAÌS OYAMA ” SITE DA UOL” ( BRASIL)