
CHARGE DE AMARILDO
Salles usa argumento desonesto ao falar de incêndios na Austrália
A aparente moderação do pronunciamento do presidente Donald Trump deve ser relativizada. O populismo de direita que vigora em boa parte do planeta é imprevisível.
Trump é o presidente capaz de mandar matar o número 2 do regime persa e dias depois sugerir a retomada de um acordo nuclear que ele mesmo dinamitou, acrescentando o desejo de cooperar com o Irã no combate ao Estado Islâmico.
Ou seja, cabe tudo no discurso feito hoje pelo presidente americano: conciliação e ameaça, cálculo e improviso.
O mesmo raciocínio vale para descrever o comportamento do “estadista” Jair Bolsonaro. O presidente brasileiro se submete incondicionalmente a Trump num dia, fala em manter o comércio com o Irã no outro e no seguinte estrela cena constrangedora ao aparecer numa live na frente de uma TV como macaco de auditório do pronunciamento do americano.
Bolsonaro insiste no erro que ele e o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, cometeram ao apoiar o assassinato do general Qassem Soleimani, o mais respeitado chefe militar do Irã. A posição brasileira contraria os interesses do país, pode prejudicar o agronegócio exportador e atrair risco de segurança para o território nacional. Ignorância geopolítica tem limite. Ou deveria ter. Mas, na gestão Bolsonaro, ela parece infinita.
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Desonestidade intelectual
O ministro Ricardo Salles (Meio Ambiente) disse que houve crítica seletiva às queimadas na Amazônia se comparadas às feitas aos incêncios na Austrália.
Se fossem comparáveis, não aliviariam em nada a devastação da Amazônia. Mas Salles usa argumento desonesto intelectualmente. Ele mente, um hábito na atual administração.
Seca, a vegetação australiana sofre principalmente incêndios de causas naturais devido ao forte calor que assola o país. A Amazônia, floresta úmida, é vítima de queimadas causadas pela ação dos desmatadores.
O retrocesso ambiental no Brasil poderá levar muito tempo a ser reparado, bem como os recuos em outras áreas. Nossa democracia corre riscos. É papel da impresa apontá-los e chamar as coisas pelo nome. Por exemplo: o especial de Natal da produtora Porta dos Fundos sobre Jesus Cristo foi censurado pela justiça fluminense.
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