
Lendo a reportagem de O Globo sobre a entrevista presidencial nesta manhã de crise mundial, onde se acumulam tensões com uma reação – que ainda não foi além de palavras, mas inevitavelmente irá, e me deparo com a declaração insólita de Jair Bolsonaro:
— Tentei falar com o Castello Branco [presidente da Petrobras] agora e não atendeu. Deve estar em alguma reunião. Tentei falar com Paulo Guedes também e não atendeu. Vou falar agora no caminho do hospital (para visitar a primeira-dama Michelle Bolsonaro). Eu quero ter as informações deles. Que vai impactar, vai. Agora vamos ver o nosso limite aqui. Se subir…Já está alto o combustível, se subir muito, complica…
Reparem: o ataque aconteceu ontem e desde então até a Turma da Mônica sabia que impactaria fortemente o mercado de petróleo que, mesmo antes disso, elevara em 10% os preços, apenas em dezembro. Dois ou três dias antes, com o cerco à embaixada norte-americana em Bagdá, já estava evidente a escalada de tensões.
Alguém pode acreditar que Castello Branco e Guedes, em meio a isso, “não pudessem” atender? E o chanceler “doidão”, Ernesto Araújo, estava ocupado também, procurando “marxistas culturais”?
Bolsonaro não foi capaz de emitir um pio sobre o evento de ontem, o mínimo que se esperava de um chefe de Estado. Já tivemos, aliás, um presidente que se envolvia direta e decisivamente em negociações de paz, agora temos um que, ao menos, atende aos apelos da internet para não abrir a boca e piorar sua situação.
Este homem sequer é capaz de compreender a necessidade de que a comunidade internacional detenha uma escalada bélica provocada por um ataque insano, que sequer foi contra um alvo militar, mas uma execução fria e planejada.
Como a submissão mundial a Trump o impede, ela não vai parar, até porque, já disse hoje o próprio Trump, o Irã nunca ganhou uma guerra, mas jamais perdeu um negociação.
Sendo assim, à guerra, como ela é hoje: impessoal, sem tropas, num joystick.
FERNANDO BRITO ” BLOG TIJOLAÇO”( BRASIL)